Segunda, Agosto 21, 2017
   
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Obama lança ofensiva para convencer Congresso a apoiar ação na Síria

Notícias - Internacionais

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O debate no Congresso só começa em 9 de setembro. 

 

 

 

 

A administração Obama lançou uma ofensiva política para tentar convencer Congresso a aprovar a intervenção militar na Síria. Um dia depois do presidente norte-americano anunciar a decisão de consultar os legisladores, o chefe da diplomacia John Kerry frisou que os Estados Unidos têm provas do uso de gás sarin na Síria. Depois de uma reunião informal no Capitólio, o republicano Michael Burgess explicou que ouviu “muitas informações, com prós e contras, mas está longe de estar estabelecido, pois não é algo que se possa decidir de ânimo leve”.
 
A questão não só divide os republicanos, como está longe de fazer consenso entre o campo democrata de Obama. Janice Hahn diz que “o uso de armas químicas é algo terrível, mas isso já aconteceu em outras instâncias e não se tomou uma ação militar”. A senadora democrata diz que espera “encontrar uma resposta para a questão: ‘Há outra forma de responsabilizar Assad?’, que é o que pretende a comunidade internacional”.
 
O debate no Congresso só começa a 9 de Setembro. Reunida no Cairo, a Liga Árabe apelou à ONU e à comunidade internacional para “assumir as suas responsabilidades” na Síria e tomar as “medidas necessárias” contra o regime de Bashar al-Assad. O ministro saudita dos Negócios Estrangeiros defendeu que “qualquer oposição a uma ação internacional apenas encorajará Damasco a continuar a cometer crimes”.
 
Atraso dos EUA reforça tom de desafio do regime sírio
 
O atraso e a incerteza sobre uma eventual ação militar internacional reforçam o tom de desafio do presidente sírio. Bashar al-Assad disse neste domingo que o seu Exército pode enfrentar qualquer ataque, enquanto o número dois da diplomacia síria classificou Barack Obama de “hesitante e confuso”.
 
Em jeito de aviso e depois de um encontro com Assad em Damasco, o chefe da Comissão de Segurança Nacional e Política Estrangeira do Irã, afirmou que “qualquer agressão militar contra a Síria irá alastrar-se a todo o Médio Oriente e, para começar, irá ameaçar a segurança de Israel”.
 
A oposição síria acusa o regime de estar a deslocar equipamento militar e tropas para zonas civis e a usar prisioneiros como escudos humanos em instalações militares. Segundo a agência Reuters, associações civis de apoiantes de Assad lançaram em Damasco uma campanha de “escudos humanos” para alvos potenciais de um ataque internacional.
 
Washington em busca de coligação militar
 
Após a rejeição do Parlamento de Londres ao princípio de uma ação militar contra a Síria a Administração Obama procura aliados. O Secretário de Defesa Chuck Hagel comenta: “Cada nação tem a responsabilidade de tomar suas próprias decisões e nós respeitamos isso mas vamos continuar a consultar os britânicos. “
 
Segundo alguns analistas a opção mais provável para um ataque seria lançar mísseis de cruzeiro de navios americanos no Mediterrâneo. “A Nossa abordagem é continuar a encontrar uma coligação internacional que atuará em conjunto, já assistimos a declarações de uma série de países que condenam o uso de armas químicas “. A Grã-Bretanha enviou caças para uma base aérea em Chipre como medida defensiva em uma altura que aumentam as possibilidade de uma verdadeira campanha militar ocidental contra Damasco.
 
França reafirma vontade em punir regime sírio e reitera aliança com EUA
 
França é o aliado improvável dos Estados Unidos depois da recusa do parlamento britânico em participar numa campanha militar contra a Síria. O presidente François Hollande reiterou na sexta-feira a vontade de Paris em punir o regime de Bashar al-Assad, uma vez que partilha a mesma convicção que Barack Obama, relativamente à autoria do ataque com armas químicas nos arredores de Damasco, no dia 21 de agosto, que fez centenas de mortos. Horas antes, o presidente americano voltou a dar mostras da sua determinação: “O mundo tem a obrigação de assegurar que as normas que impedem a utilização de armas químicas sejam cumpridas. Ainda não tomei uma decisão final sobre várias ações que podem ser tomadas para ajudar a implementar essas normas.
 
Como já disse, os nossos militares e as nossas equipas estão a avaliar várias opções. Em nenhuma delas estamos a considerar uma ação militar que implique homens no terreno ou que implique uma campanha de longo prazo.” Barack Obama e François Hollande, apesar de determinados, têm de contar com a oposição dos seus cidadãos. Numa sondagem publicada este sábado em França, 64 por cento da população opõe-se a uma intervenção armada na Síria e 58 por cento dos franceses não confiam na capacidade militar do chefe de Estado.
  
Rússia pode ajudar Assad a manter-se no poder
 
A Rússia está evacuando os civis da Síria antes de eventuais ataques dos aliados. É um sinal de que, apesar da oposição a uma intervenção militar e aos esforços para a impedi-lo, Moscou pode ter perdido a esta queda de braços. Na segunda-feira, o chefe da diplomacia reiterava a posição do país e não escondia o descontentamento com os Estados Unidos e seus aliados: “Anunciaram oficialmente em Washington, Londres e Paris que têm informações e provas irrefutáveis da culpa das autoridades sírias. Não podem apresentar provas, mas insistem em dizer que a linha vermelha foi cruzada e não podem esperar mais tempo”, disse Serguei Lavrov.
 
Até agora, nada mudou a posição de Moscou, que há vários meses resiste para preservar o aliado sírio de uma intervenção e privilegiar a solução política. Para a Rússia, uma intervenção sem a luz verde da ONU é uma violação do direito internacional. Os vetos constantes de Moscou, no Conselho de Segurança, são vistos como um bloqueio pelas outras potências e foram contrariados em várias situações, nomeadamente no Kosovo e no Iraque. Já em relação à Líbia, Moscou absteve-se, mas a forma como a resolução foi utilizada deixou um gosto amargo na boca dos russos. Neste jogo, Moscou apaga, cada vez mais, a imagem de uma potência forte face à Europa e aos Estados Unidos. Mas a inflexibilidade é também uma forma de afirmar as posições.
 
As afinidades entre a Rússia e a Síria vêm do tempo da Guerra Fria, quando a Síria era um aliado poderoso da diplomacia soviética na região. Esta amizade continua a ter uma grande importância para as trocas comerciais. Várias empresas russas estão presentes em Damasco. Em jogo está, naturalmente, o petróleo. Mas Damasco é também um cliente assíduo das armas russas, nomeadamente da defesa antimíssil. O porto de Tartous é a peça fundamental da cooperação militar entre Moscou e Damasco. A parceria estratégica russo-síria implicou o desenvolvimento de várias estruturas. Este ponto é o único acesso da Rússia ao Mediterrâneo. É também aqui que desembarcam as armas russas para a Síria. É algo que Moscou não quer perder.
 
Os militares americanos dizem que estão prontos a atacar a Síria e estão apenas à espera da ordem do presidente Obama. Ao mesmo tempo, alguns líderes do Médio Oriente viram-se para Moscou. É o caso do chefe da diplomacia libanesa, Adnan Mansour, que diz que a Rússia tem várias opções para parar uma operação militar na Síria. É assim, em Moscou, desde que a situação começou.
 
matuzov
 
Vyacheslav Matouzov, antigo diplomata na região, atualmente presidente do grupo de amizade e cooperação com os países árabes falou sobre o possível ataque:
 
Andrei Belkevich: Se a operação militar começa, qual pode ser a reação de Moscovo?
 
Vyacheslav Matouzov: Não dirigimos o Estado americano nem as Forças Armadas do país. Seria uma decisão puramente americana. O que a Rússia pode fazer é dar assistência ao exército regular sírio. Os ataques previstos a partir dos quatro navios próximos da costa síria e das bases na Jordânia e na Turquia podem danificar a infraestrutura militar ou civil, mas não vão resolver o problema, não vão afastar o regime e o presidente Bashar el-Assad vai continuar em funções. Mesmo hoje, vários membros da oposição síria dizem que, em caso de agressão contra o país, apesar de todo o ódio que têm a Bashar el-Assad, levantam-se em defesa do regime. A oposição síria vai estar dividida.
 
Andrei Belkevich: Se, como diz, é impossível parar os ataques, o que tem a Rússia a perder, em termos geopolíticos?
 
Matouzov: Tem pouco a perder. É possível que a propaganda se aproveite e diga que a Rússia é um país fraco e não sabe defender os aliados no Médio Oriente. Penso que para os americanos vai haver mais consequências negativas. Se o regime atual e o sistema político atual se mantiverem, os americanos terão falhado todos os objetivos, porque o objetivo deles é mudar o equilíbrio interno, colocar mais peso nos grupos armados da oposição. Penso que nunca vão atingir esse objetivo.
 
Andrei Belkevich: A Rússia, que pode ela ganhar, se houver uma operação militar por parte dos americanos?
 
Matouzov:  Se o regime sírio se aguentar e a Rússia for razoável, ao não entrar em confronto direto com a Grã-Bretanha, França e Estados Unidos, penso que o prestígio e a estima dos países árabes para com a Rússia só pode aumentar. A Rússia pode dar assistência técnica ao governo sírio, ajudá-lo a manter-se de pé. Penso que muito vai depender do contexto mediático, de como esta operação e suas consequências vão ser descritas pelos media. Espero que a Rússia tenha meios suficientes para explicar a abordagem desta crise.

 

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