Terça, Maio 23, 2017
   
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Reino Unido diz “não” à guerra contra a Síria

Notícias - Internacionais

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Nas ONU prossegue o impasse com a Rússia e a China a reafirmarem a sua forte oposição a uma ação militar. 

 

 

 

 

O parlamento britânico disse “não” a uma intervenção militar na Síria. Estados Unidos afirmam ter novas provas do recurso a armas químicas por parte do regime de Assad e estão prontos para avançar sozinhos, mas o ataque só deverá ser lançado depois dos inspetores da ONU abandonarem Damasco neste sábado. Por 13 votos (285 contra e 272 a favor), a Câmara dos Comuns rejeitou a proposta do governo de um ataque militar à Síria caso se confirme a utilização de armas químicas por parte do regime de Damasco. É um golpe para David Cameron que reconheceu que “o parlamento e os britânicos não querem uma intervenção militar” e prometeu que “o governo irá agir em conformidade”.

Nas Nações Unidas prossegue o impasse com a Rússia e a China a reafirmarem a sua forte oposição a uma ação militar. A pedido da Rússia, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança reuniram-se, esta quinta-feira, durante cerca de 45 minutos. No final, voltou a não haver “convergência de pontos de vista”, segundo fontes diplomáticas. Os Estados Unidos afirmam ter interceptado “comunicações entre altos responsáveis sírios” que provam que o regime de Assad recorreu a armas químicas. Washington reserva-se o direito de agir unilateralmente e lançar um ataque “discreto” e “limitado”, mesmo sem uma decisão da ONU ou o apoio de aliados como o Reino Unido.
 
No entanto, tudo indica que uma intervenção militar só poderá vir a acontecer depois dos inspetores da ONU abandonarem a Síria este sábado de manhã. Em Damasco, Bachar al-Assad prometeu resistir mas, apesar da aparente confiança, Assad teria ordenado a retirada de mísseis Scud de algumas bases na eventualidade de um ataque.
 
ONU pede a países vizinhos da Síria que abram fronteiras a refugiados
 
A iminência de um ataque à Síria volta a levar milhares a tentarem escapar do país. Desde ontem, que a fronteira com o Líbano registra um novo afluxo de refugiados, num momento em que Beirute impôs novas regras para limitar a entrada de sírios, como o pagamento de uma taxa de 200 dólares, quando acolhe mais de 700 mil refugiados do conflito. Um funcionário libanês explica o porquê das novas medidas: “Não temos mais espaço, estamos sobrelotados com a quantidade de refugiados. Primeiro acolhemos os que temiam as armas químicas e agora os que querem escapar a um eventual ataque. Todos querem fugir do país”.
 
Uma situação que levou o Alto Comissário para os refugiados da ONU, António Guterres, a lançar um apelo: “Estamos a ser testemunhas na Síria da destruição física do país, do colapso das instituições do estado e de um enorme sofrimento da população – daqueles que morreram e daqueles que fugiram em todas as direções – e nestas circunstâncias, a contribuição mais importante de qualquer estado para aligeirar este drama é de manter as fronteiras abertas para aqueles que necessitam de proteção”.
 
Desde o início do conflito que quase dois milhões de sírios fugiram do país para as nações vizinhas, onde os campos se encontram sobrelotados. Vários países europeus acolheram já cerca de 30 mil refugiados sírios. A porta-voz da Cruz Vermelha Internacional, Dibeh Fakhr, alerta igualmente para a situação humanitária dentro do país: “As necessidades humanitárias são imensas. Há falta de medicamentos vitais, água, comida, especialmente em áreas que foram fechadas há meses e onde as autoridades impedem o acesso das nossas equipes”. Segundo os últimos dados, o conflito sírio teria deslocado, nos últimos dois anos e meio mais de 4 milhões de habitantes no interior do país, provocando mais de 100 mil mortos.
 
Washington em busca de coligação militar
 
Após a rejeição do Parlamento de Londres ao princípio de uma ação militar contra a Síria a Administração Obama procura aliados. O Secretário de Defesa Chuck Hagel comenta: “Cada nação tem a responsabilidade de tomar suas próprias decisões e nós respeitamos isso mas vamos continuar a consultar os britânicos. “
 
Segundo alguns analistas a opção mais provável para um ataque seria lançar mísseis de cruzeiro de navios americanos no Mediterrâneo. “A Nossa abordagem é continuar a encontrar uma coligação internacional que atuará em conjunto, já assistimos a declarações de uma série de países que condenam o uso de armas químicas “. A Grã-Bretanha enviou caças para uma base aérea em Chipre como medida defensiva numa altura que aumentam as possibilidade de uma verdadeira campanha militar ocidental contra Damasco.
 
Refugiados sírios esperam o fim do regime de Al-Assad 
 
Enquanto se aguarda o relatório dos inspetores da ONU sobre a utilização de armas químicas pelo regime de Bashar Al-Assad e uma eventual intervenção militar estrangeira, as opiniões dos refugiados sírios na Jordânia são díspares. “Apoiamos uma ação militar contra a Síria. Queremos ver-nos livres do regime. Usaram armas químicas contra o próprio povo. Mataram crianças. Tivemos que fugir de casa. Ficamos sem lar. Esperamos que nos ajudem a nos livrar de Al-Assad”, disse um refugiado de Homs.
 
“Estamos à espera que o regime retire os soldados das bases militares e os substitua por civis e prisioneiros como escudo. Queremos uma ação militar decisiva que paralise o regime, o Hezbolah e o Irã”, afirmou um refugiado de Deraa. “Não estou de acordo com uma ação militar contra a Síria, apesar de o regime ser culpado. Espero que haja uma solução pacífica. Se houver uma ação militar vai morrer mais gente. Chega de pessoas sem casa” sublinhou uma cidadã síria a viver em Amã.
 
Inspetores da ONU deixam a Síria no sábado
 
As Nações Unidas anunciaram que os investigadores que analisam o uso de armas químicas no bombardeamento ocorrido no dia 21 nos arredores da capital síria terminarão o trabalho nesta sexta-feira e deixarão o país no sábado. Em Viena o secretário-geral da ONU insistiu na necessidade de se dar “uma oportunidade à diplomacia”. “Os investigadores continuarão o seu trabalho até amanhã, sexta-feira. Regressarão no sábado de manhã e informar-me-ão assim que deixarem a Síria”, disse Ban Ki-moon. Ban Ki-moon adiantou que falou na quarta-feira com Barack Obama sobre a crise síria tendo-lhe expressado o desejo da ONU de que se dê tempo aos inspetores para terminarem o seu trabalho.
 
“Ainda não tomei uma decisão, mas penso que é importante que se optarmos por uma ação como resposta ao uso de armas químicas, o regime de Assad, que tenta proteger-se, deverá receber um sinal bem claro de que é melhor não voltar a fazê-lo”, afirmou Barack Obama. Enquanto se espera o relatório dos investigadores da ONU, a Turquia colocou o exército em alerta e na base americana de Incirlik foram observadas várias descolagens de caças e aviões de carga. Por seu lado a Grã-Bretanha enviou seis caças para Chipre e a Rússia deslocou dois navios de guerra para o Mediterrâneo oriental.

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