Terça, Setembro 19, 2017
   
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Malcolm X ou EL HAJJ Malik El Shabazz

Colunas - Veja quem é muçulmano

No domingo, 21 de fevereiro de 1965, por volta das 13h00, um homem deixou o hotel Hilton, em Manhattan. Seu nome era El Hajj Malik El-Shabazz.

Sua aparência era distinta - alto, cabelo avermelhado e cavanhaque, pele à sombra de faces coradas - mas ele estava vestido de forma conservadora, em um terno escuro, camisa branca, gravata estreita.

Como muitos hospedes do Hilton, rezou antes de se dormir. Mas ele também orou de madrugada, e não simplesmente de joelhos, mas em posição de sentido quase militar, a face na direção da cidade santa de Makkah, em seguida, baixando-se, em estágios precisos, para tocar de cabeça na terra.

Ele realizou o ritual de novo ao meio-dia. Então, saiu do hotel e pegou seu carro, na parte alta da cidade. Cerca de duas horas depois, chegou a um auditório no limite superior do Harlem, o Audubon Ballroom.

Naquela tarde, foi realizada uma reunião da Organization of Afro-American Unity. Apesar de Malik El-Shabazz liderar aquela organização, o palestrante era para ser um presbiteriano negro, o Rev. Milton Galamison. Por três horas, uma audiência de 400 negros se reunia, porém, Rev. Galamison não tinha aparecido. Assim, às 03h10 Malik El-Shabazz subiu ao palco.

Ele fez a habitual saudação muçulmana: As Salaam Alaikum - A paz esteja convosco. Apesar de haver muitos não-muçulmanos no local, muitos sabiam a resposta correta: Alaaikum As-Salaam. Mesmo com esta invocação à paz, três homens aproximaram-se, sacaram armas e atiraram contra Malcom.

Ele foi levado para um pronto-socorro, registrado para atendimento como "John Doe". O tratamento falhou, e às 3h30, John Doe foi declarado morto.

Malcolm Little nasceu em Omaha, Nebraska, em 1925. Era filho de James Earl Little, um pregador batista que defendia os ideais nacionalistas dos negros de Marcus Garvey. Ameaças vindas da organização racista Ku Klux Klan obrigaram a família a se mudar para Lansing, Michigan, onde seu pai seguiu com seus sermões.

Em 1931, o pai de Malcolm foi brutalmente assassinado pela Legião Negra, uma entidade que defendia a supremacia branca. As autoridades de Michigan se recusaram a processar os responsáveis.

Em 1937, Malcolm foi tirado da família por assistentes sociais. Nessa altura, com idade para começar a cursar o ensino médio, abandonou a escola e mudou-se para Boston, onde se envolveu cada vez mais com atividades delituosas.

Em 1946, aos 21 anos, Malcolm foi preso, acusado de roubo. Na prisão, se deparou com os ensinamentos de Elijah Muhammad, o líder da Nation of Islam (Nação do Islã), cujos membros eram conhecidos como Black Muslims. A Nação do Islã defendia o nacionalismo negro e o separatismo racial e condenava os norte-americanos descendentes de europeus como “demônios imorais”. As teses de Muhammad impressionaram vivamente Malcolm, que resolveu fazer um intenso programa como auto-didata. Trocou seu sobrenome por um simples “X” para simbolizar o roubo de sua identidade africana.

Seis anos depois, Malcolm foi libertado e se tornou ministro da Nação do Islã no Harlem. Ao contrário de líderes dos direitos civis, como Martin Luther King, Malcolm X defendia a autodefesa e a libertação dos afro-americanos “por todos os meios necessários”. Orador contumaz, Malcolm era admirado pela comunidade negra de Nova York e de todo o país.

Filosofia própria

No começo dos anos 1960, começou a elaborar uma filosofia mais franca que a de Elijah Muhammad, quem a seus olhos não defendia o bastante o movimento dos direitos civis. No final de 1963, Malcolm insinuou que o assassinato do presidente John Kennedy Jr. se resumiria em "quem semeia ventos colhe tempestade". Isto levou Muhammad a acreditar que Malcolm se tornara demasiado poderoso e julgou que sua declaração era a oportunidade conveniente de suspendê-lo da Nação do Islã.

Alguns meses mais tarde, Malcolm deixou formalmente a organização e empreendeu a peregrinação à Makkah, onde ficou impactado com a ausência de discordância racial entre os muçulmanos. Voltou aos Estados Unidos como El-Hajj Malik El-Shabazz e em junho de 1964 fundou a Organização da Unidade Afro-americana, que defendia a identidade negra. Ele sustentou que o racismo e não a raça branca era o maior inimigo dos negros norte-americanos.

O novo movimento de Malcolm ganhou continuamente seguidores e sua filosofia mais moderada tornou-se cada vez mais influente no meio do movimento pelos direitos civis, especialmente entre os líderes do Comitê de Coordenação dos Estudantes Não-violentos.

Em 21 de fevereiro de 1965, uma semana após sua casa ter sido atingida por uma bomba incendiária, Malcolm X foi alvejado mortalmente por membros da Nação do Islã enquanto discursava.

Texto histórico

Você pode ler a carta que Malcom X escreveu a seus seguidores assim que completou a Peregrinação à Makkah. Um texto histórico e que serve de referência aos muçulmanos do mundo inteiro. Clique aqui e boa leitura.

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