Domingo, Outubro 22, 2017
   
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Os muçulmanos na América do Sul e a tragédia imposta pelos Tribunais da Inquisição

Notícias - Islâmicas

A Inquisição instalada na Espanha a partir do século II era dirigida contra os muçulmanos na Andaluzia. Mais tarde, acabou alvejando os judeus, no início do século XIV. Já no século XVI, surgiu um novo inimigo da doutrina católica adotada na época pelos reis da Europa: Os adeptos do Protestantismo, que foram queimados vivos e igualados aos muçulmanos e judeus, acusados de “hereges”.

Os hereges eram aqueles que se revoltaram contra os ensinamentos da Igreja e introduziam algumas reformas e interpretações nos textos dos Sagrados Evangelhos adotados pela Igreja Católica. Eles também não conseguiram se livrar da tortura infringida pelos tribunais da inquisição, ainda que pertencentes à mesma fé cristã..!! Para termos idéia do que foi este movimento, basta lembrarmos as palavras de Gustave Le Bon em seu livro "Civilização Árabe": "É impossível não nos arrepiarmos ao lermos sobre histórias de tortura e perseguição espanholas contra os muçulmanos derrotados... queimaram o máximo que puderam de pessoas... o monge "Belida"  sugeriu cortar as cabeças de todos os árabes sem exceção dentre aqueles que não tinham se convertido ao Cristianismo, inclusive mulheres e crianças... também ordenou a morte de 100 mil imigrantes de um comboio que estava a caminho da África (Marrocos e Tunísia) e da América Latina.. ".

Os tribunais da inquisição tinham como primeiro e último objetivo a eliminação dos judeus e muçulmanos na Andaluzia, bem como qualquer pessoa que ousasse transgredir as regras da doutrina católica, adotada pelos reis da Europa, a despeito do tratado firmado entre Abi Abdallah Alsaguir e os reis católicos em 1492, o qual o Papa jurou cumprir todos os termos. O tratado previa: "Garantir proteção às pessoas, seus familiares e seus bens; resguardar suas moradias; permitir-lhes a prática do culto e do julgamento com base nas regras da sua própria religião; manter intactas as Mesquitas... não proibir o “Almoadin” de chamar para as preces nem as pessoas de rezarem, jejuarem ou praticarem suas crenças”. Mas, o acordo não durou muito e a situação foi completamente revertida..!!.  

 

15 milhões de livros islâmicos foram queimados

 

Foi neste ambiente estremecido que começou o enterro e a proibição da língua árabe, com a ordem do Cardeal "Okzimenez" mandando queimar mais de oitenta mil livros. No ano de 1500, os muçulmanos de Granada foram forçados a entregar mais de 15 milhões de livros com excelente acabamento e inestimável valor. Parte desses livros teve como destino a fogueira, enquanto a outra, que incluía livros de medicina, arquitetura, astrologia, geografia, matemática e filosofia, foi conservada... O mundo ocidental continua até hoje se servindo desses livros, e se não fossem eles, a Europa não teria alcançado o atual avanço tecnológico nem o crescimento econômico.  

Os reis espanhóis se aprimoraram na humilhação dos muçulmanos na Andaluzia, proibindo-lhes a prática da circuncisão, de se direcionarem à Meca para as preces, de tomarem banho e usarem trajes árabes... O homem era condenado à morte se flagrado vestido a caráter em dia de festa religiosa ou mantendo em casa algum exemplar do Alcorão, ou quando se recusava a comer no Ramadã... Desnudavam quem suspeitassem que fosse muçulmano e quando constatada a circuncisão, a pessoa era severamente punida e muitas vezes condenada à morte. Até o consumo do “cuscuz marroquino” e o uso da “henna” eram considerados crimes passíveis de punição..!!.

Quando o Imperador Charles V percebeu que os mouros tendiam a migrar acabou emitindo um decreto, em 1514 , no qual os proibia de mudarem de casa e de migrarem para a cidade de Valência, que sempre foi o destino preferido. Em seguida surgiu um novo decreto que exigia da pessoa que aspirasse trabalhar na Espanha, a prova da inexistência de qualquer membro judeu ou muçulmano em sua família, há pelo menos quatro gerações..!.

Entre 1609 e 1614, pelo menos 500 mil pessoas foram expulsas para países islâmicos vizinhos como o Marrocos, Tunísia e países da América Latina, depois de terem seus bens saqueados e confiscados. Muitas dessas pessoas foram vítimas de genocídio praticado por piratas que os jogavam no mar onde morriam afogados, principalmente aqueles que resistiam ou tentavam fugir..!! Os que conseguiam chegar com segurança às costas do Brasil, Chile e Suriname encontravam a sua espera os tribunais da inquisição portuguesa, que proibiam a imigração dos muçulmanos da Andaluzia para o Brasil, colonizado pelos portugueses no século XVI.

Em 1594, um tribunal da inquisição no estado da Bahia decretou a lei que descrevia os sinais camuflados do islamismo. Entre eles foram citados: “lavagem e limpeza, especialmente às sextas-feiras, levantar muito cedo, jejuar e manter a roupa limpa, usar anel de prata..”. Isso fez com que muitos dos perseguidos fugissem para países vizinhos como Argentina, Chile, Venezuela e Suriname.. Existem hoje no Brasil famílias andaluzas que se orgulham de sua origem “mourisca” e ainda mantêm em casa livros de Alcorão herdados de seus ancestrais através de gerações. Alguns foram escritos à mão usando caligrafia marroquina. Eu ainda guardo um destes manuscritos, como lição de História e prova do historiador.

 

Decisão de dissolver o Tribunal

 

Após 329 anos de Inquisição, marcada pela prática das formas mais absurdas de extermínio como a queima, enforcamento, destruição, corte de línguas e afogamentos, foi tomada a decisão de dissolver o tribunal, em 15 de junho de 1834. Há de se ressaltar que o Papa João Paulo II, durante sua visita ao Brasil em 1992, pediu perdão aos povos da América do Sul pelas atrocidades cometidas pela Igreja Católica quando da sua invasão ao Continente Americano.

 

Texto: Sheikh Essadik El Otmani

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