Terça, Maio 23, 2017
   
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Presidente e Sheikh do CDIAL participam de palestras do Rei do Marrocos no Ramadan

Notícias - Islâmicas

Presidente Ahmad Ali Saifi e o Sheik Essadik El Otmani, foram recebidos pelo “Amir Al-Mouminine” sua Majestade o Rei Mohammed VI

O Convidado do Rei

Já se passaram mais de cinco anos desde que o Centro de Divulgação do Islã para a América Latina vem, com muita honra, assistindo através de seu ilustre presidente, o Prof. Ahmad Ali Saifi e do Sheik Essadik El Otmani, às palestras religiosas do mês sagrado do Ramadã, proferidas na presença e sob a presidência de “Amir Al-Mouminine” sua Majestade o Rei Mohammed VI, que Deus o proteja, e na presença também, de um seleto grupo de sábios, xeiques, pregadores, recitadores do Alcorão e renomadas personalidades do mundo da cultura do pensamento, vindos de dentro e de fora do Marrocos. Esta distinta e louvável tradição anual teve origem na iniciativa do falecido Rei Hassan II, que Deus o tenha, em 1963, ano da eleição do primeiro parlamento marroquino.

Trata-se na realidade de um evento tradicional único, que distingue o Reino do Marrocos dos demais países árabes e muçulmanos. O mesmo ocorre durante o sagrado mês do Ramadã, ocasião em que o Palácio Real, em Rabat, se transforma numa conceituada universidade ao abrir suas portas para dezenas ou centenas de estudiosos e sábios religiosos oriundos de vários cantos do mundo, com o intuito de debater assuntos, problemas e questões do interesse da nação islâmica, abordados com precisa metodologia científica, sabedoria e equilíbrio, longe do radicalismo.

Precavendo-se da onda de alienação ideológica ocidental que avançava sobre os países árabes e o mundo islâmico nos anos 60, e atento à crescente maré do comunismo cético e a ascensão da esquerda nas universidades árabes, o falecido Rei Hassan II, que Deus o tenha, tomou naquela época, a iniciativa de organizar palestras no mês do Ramadã, para dignificar sábios e estudiosos, e valorizar o seu ativo papel, que é o de proteger a nação e a juventude dos desvios religiosos, da descrença e do radicalismo, cujas sementes foram plantadas em todas as partes por malfeitores que pregavam a corrupção pelo mundo afora, de tal modo que a imagem do árabe muçulmano ficou maculada e suas características culturais tonaram-se obscuras.

Deste modo, ao invés de fazerem história, participarem da corrida desenvolvimentista e se valerem de suas capacidades mentais e materiais em prol do desenvolvimento, da renovação, das reformas e da construção, nossos povos muçulmanos, infelizmente, mergulharam em estreitos conflitos sectários, aceitando as armadilhas do prejulgamento e da emissão de opiniões precipitadas sobre descrença e infidelidade, troca de acusações, intrigas e modismo, e de muitas outras práticas abomináveis..., de modo que seus cérebros, seu dinheiro e suas experiências, que são as suas principais riquezas, se dissiparam em meio à discórdias e conflitos sectários, que não lhes renderam absolutamente nada.

Esta trágica situação dos árabes e muçulmanos despertou em sua Majestade o falecido Rei Hassan II a ambição de criar uma tribuna científica única, com o objetivo de contribuir para a união da nação islâmica, alvejada pela ação demolidora de vários fatores nefastos, que encheram seu corpo de feridas e atiçaram o espírito da intriga e da discórdia, criando barreiras psicológicas entre os componentes do mesmo corpo. Foi neste contexto que surgiu a tribuna de palestras apelidada de “A Dourous Alhasaniya”, como símbolo da bondade e da bênção na vida da nação islâmica em geral, e dos marroquinos em particular.

Durante edições passadas deste evento, muitos sábios, atendendo a convites, vieram ao Marrocos trazendo contribuições na forma de palestras proferidas diante de sua Majestade o Rei. Entre estas notáveis personalidades citamos, por exemplo: O Imama Abou Al Alaa Al-Maudoudi, o ex-Sheik d’Alazhar Ali Jaad Al-Hak, o falecido Sheik Abdel Fattah Abou Gharda, que Deus o tenha. Também subiu na tribuna deste grandioso evento o líder Xiita Imam Moussa Sadr, o sábio Dr. Abdollah Ben Abdelmohssine Attourki, atualmente Secretário-Geral da Liga do Mundo Islâmico, o Sheik Abi Al-Hassan Annadoui, o Sheik Mohammed Al-Habib Belkhouja, Dr. Omar El-Bachir, atualmente Presidente do Sudão, o falecido sábio libanês Sobhi Saleh, o sábio Sheik Youssef Al-Kardaoui, o Dr. Abdel Sabour Chahin, o Sheik Mohammed Sayed Tantaoui e o Sheik Abdollah Benbih. Ao lado dessas notoriedades do mundo árabe e muçulmano, participaram sábios marroquinos como o Mekki Nasciri, o sábio Allal El Fassi, o Sheik Abdollah Ghennoun, o Fakih Rahali Farouki, o sábio Dr. Ahmed Toufiq, atualmente Ministro de Habous e dos Assuntos Islâmicos do Reino do Marrocos, o Dr. Abdelkebir Lamdaghri, ex- Ministro de Habous e dos Assuntos Islâmicos, o falecido Sheik Mohammed Lazrak, o Sheik Lghazi Al-Housaini, o Dr. Lisan Al-Haq, o Dr.Mohammed Youssef, o Dr. Ahmed Abbadi e o Dr. Farouk Annabhan. Algumas dessas notoriedades já nos deixaram, enquanto outras continuam entre nós, e a elas desejamos uma longa vida, para que continuem a serviço da religião islâmica e da nossa amada pátria, o Marrocos.

O ambiente dessas palestras nos faz lembrar os tempos dos abençoados companheiros do Profeta, quando o governante e os governados, o Califa e os mandados se reuniam todos no mesmo espaço, debaixo da mesma cúpula, motivados por um só objetivo que é o de adorar a Deus e obedecê-lo, seguir a tradição do Profeta “Sunnah” e cuidar dos assuntos e preocupações dos fieis e seus filhos, e todos nós somos filhos de Deus, e o “senhor do povo é o seu serviçal”.

Os Soberanos da nobre dinastia “Alaouita”, em particular “Amir Al- Mouminine” sua Majestade o Rei Mohammed VI, que Deus o proteja, fizeram a nação islâmica reviver uma brilhante época de sua história, de modo que, nos tempos atuais, nenhum governante árabe ou muçulmano, além dele, conseguiu realizar este relevante feito.

Desde que sua Majestade assumiu o governo, sua atitude para com o seu povo sempre foi de dialogar e ouvir comentários, de manter-se permanentemente em comunicação com seus súditos, seja nas ruas ou na zona rural, ou até nas mais remotas aldeias. Habituou-se a ouvir as viúvas e os pobres, a ajudar os necessitados e a defender os injustiçados. Sensibilizado com estas camadas sociais, acabou instituindo o que é conhecido hoje como “Diwan Al-Madalim” (espécie de ouvidoria) para receber reclamações, especialmente daqueles que se sentem injustiçados ou que sofreram abusos por parte do poder público.

As atitudes humanitárias de Sua Majestade, bem como sua bondade, humildade e o dom de perdoar, que caracterizam a sua conduta e a sua maneira própria de lidar com o povo transcenderam as fronteiras nacionais e se espalharam por todos os cantos da terra, dignificando o nome de sua Majestade como uma das principais personalidades que se destacam pelo bem e pela paz no mundo. Seu retrato adorna cidades e regiões por onde passa e fica marcado no coração e na mente de todos os necessitados que carecem de cuidados médicos, ajuda financeira ou de bolsas de estudo.

As mãos limpas e puras de Sua Majestade estão deixando marcas em todas as unidades que compõem nosso grandioso país, de Ceuta (enclave ocupado) até Lagouira, passando por Tetouan, Tanger e outras regiões.

É louvável a atitude de Sua Majestade o Rei Mohammed VI, que Deus o abençoe, ao persistir na realização deste tradicional evento religioso (Dourous Alhasaniya), trabalhando arduamente para assegurar a sua continuidade e o seu desenvolvimento, e adequá-lo às exigências dos tempos.

Talvez a novidade desses tradicionais encontros anuais seja a oportunidade que foi dada aos líderes de movimentos islâmicos marroquinos e estrangeiros, de participarem pela primeira vez dessas palestras e apresentarem suas idéias diante de sua Majestade. O círculo dessas palestras abrangeu também, símbolos das comunidades islâmicas marroquinas no estrangeiro, ao serem chamados muitos presidentes de associações e centros culturais, bem como pregadores e notáveis professores de presença marcante e efetiva atuação nos países onde residem.

Contudo, durante o Reinado de “Amir Al-Mouminine” sua Majestade o Rei Mohammed VI, aconteceu um fato relevante na história deste tradicional evento, que foi a participação da Sábia mulhere marroquina lado a lado de seu irmão homem.

É um fato inédito na história deste evento e, ao mesmo tempo, único no âmbito da história do mundo islâmico, que infelizmente, guarda em seu registro períodos de declínio, nos quais a mulher era discriminada e deixada em segundo plano.

Hoje, com sua corajosa iniciativa, sua Majestade tenta devolver à mulher sua dignidade, seu orgulho e sua colocação natural, para assumir com responsabilidade o importante papel que é o da formação do homem e da nação, ao lado do seu irmão homem. É evidente que “atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher”. Assim, a mulher representa a metade da sociedade, e por isso nenhuma consegue progredir tendo a outra metade discriminada.

Com a mente aberta e o olhar perspicaz, sua Majestade logo percebeu o desequilíbrio que ocorreu ao longo da história dos muçulmanos e a injustiça de negar à mulher a sua relevância como elemento fundamental na construção de uma sociedade.

Não tardou muito para que sua Majestade levasse à tribuna de a (Dourous Alhasaniya) a primeira mulher, que fez em sua presença uma brilhante exposição. Trata-se da Dra. Rajaa Naji El-Mekkaoui, professora da Faculdade de Direito da Universidade Mohamed V, em Rabat, que proferiu uma importante palestra sobre “O sistema familiar no Islã, em comparação com a situação da família nas sociedades ocidentais”. Era a primeira mulher que se apresentava diante de sua Majestade, que Deus o proteja, em companhia de sábios, ministros e oficiais.

 

Texto: Sheik Essadik El Otmani

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